A vida é o caminho para a morte. Não tem como fugir disso. Morte que virá mais depressa se à vida você imprimir um ritmo com desgastes muito grandes, seja no aspecto físico, mental ou espiritual, diminuindo a qualidade de vida. E mais depressa ainda se à sua volta, seja no lar, no trabalho, no dia a dia, você estiver rodeado de problemas constantes de todo tipo, ou pessoas que ajudem a provocar esses desgastes que se avolumam conforme a sua capacidade de suportar decrescer, transformando tudo em uma bola de neve ou avalanche, sepultando o seu ânimo de enfrentar as situações.
Em nossos dias, quando os empregos estão escassos, ou a aceitação do seu currículo passa por mil exigências se buscar outro posto de trabalho, e quando você tem de agüentar o mau humor dos chefes e do patrão que cobram sem cessar, exigindo produtividade e dedicação, fácil é perceber que o desgaste é maior. Ainda mais se o salário não corresponder às necessidades básicas e você tiver que apertar o cinto, economizando cada tostão. Ou se você foi além do permitido e comprometeu esse salário por meses ou anos a fio, com dívidas que não deveria ter feito, perde o sono e não consegue descanso reparador.
A confirmação desse péssimo estado físico e mental virá com explosões descontroladas seguidas de depressões, desânimos, fragilização diante dos desafios e tarefas. O cardápio diário da vida passa, então, a ter sabor amargo e indigesto. E o bolo alimentar, a custo engolido, desce pela garganta provocando estragos e queimando o esôfago. Ao chegar ao estômago para a primeira digestão, provoca desconforto e
ardência. Você passa a viver em permanente estado de insatisfação e estresse, algo está
lhe faltando (aquele vazio), perde a alegria, a disposição e a coragem para os embates. Isso se dá quanto à digestão física, mental-e espiritual, se você engolir os males da vida e digerir maios problemas que lhe são colocados no prato, ou aqueles que você mesmo colocou quando pegou o bandejão do dia a dia e se serviu mal, seja pela ambição ou pela necessidade de ganhar mais e rapidamente sem medir as consequências.
Conselho de um idoso com os pés no chão. Refletir sobre tudo, mudar radicalmente e depressa. Senão infarto e úlceras serão alguns de seus prêmios. Quando não, incompatibilidade com os entes queridos, colocando-se a um passo do abismo e da infelicidade, preço alto demais para a imprevidência.
João Rodella Espaço Literário Nelly Rocha Galassi.
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