Alguns chegam mansamente. Outros de repente. Descarregam a bagagem afetiva e instalam-se nos cômodos do nosso coração. Alguns apenas para curta temporada. Outros para a vida inteira. Uns nós é que escolhemos. Outros nos escolhem. A maioria é escolhida por Deus, pois Ele sabe que a travessia da vida é difícil. E, portanto, necessitamos de amparo. Quase sempre a amizade surge porque temos pontos de vista convergentes. Porém, mesmo que opostos, se o diapasão do afeto vibrar no mesmo tom, a sinfonia da amizade realiza-se e perpetua-se. Isso porque o respeito guiará os acordes e o compasso será único. Amigos sempre nos trazem algo. E recolhem de nós alguns grãos de trigo nessa permuta. E com os grãos de um e de outro se coze o delicioso pão da amizade. E com afeto, respeito e diálogo eles evitam que nos enfiemos no atoleiro dos erros ou na areia movediça das dificuldades. De alguns necessitamos ouvir suaves conselhos. De outros bronca monumental para nos mantermos no prumo. E de outros basta um olhar para que entendamos o recado.
Amigos verdadeiros são quase como irmãos. Apesar de o sangue ser de outra árvore genealógica, é como se fossem iguais pela identidade de afetos. Amizade verdadeira não se explica: vive-se, desfruta-se e cultiva-se. Os amigos são verdadeira fortuna para a alma e o coração, dentro do mundo mercantilista pleno de valores questionáveis.
O escritor francês Fénelon diz que "um dos dramas do mundo - individualista e competitivo ao extremo - é que os homens não têm tempo para fazer amigos". E Antoine de Saint Exupéry, aviador e autor de O pequeno príncipe disse mais ou menos assim: "tu te tomas responsável por quem cativas". Na correria dos tempos de agora, à falta de tempo talvez se junte o receio da responsabilidade que exige ter e conservar amigos, uma tarefa e tanto, embora prazerosa.
Se você, apesar dos defeitos que tem, sabe perdoar os alheios e fazer-se perdoar, mãos à obra. A seara da amizade é extensa e carece de obreiros ativos e sinceros. Se a semeadura for boa a colheita o alimentará por toda a vida. Você viverá sorrindo. E o sorriso satisfeito de Deus, ao ver cumprido o segundo mandamento - Amar o próximo como a você mesmo - (Mateus, capítulo 22, versículo 39) iluminará a amplidão dos céus ao verificar ser a terra doravante, fonte perene de amor, de paz e de luz. Amém.
João Rodella.
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